Sumário

APRESENTAÇÃO
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
POR ONDE COMEÇAR?
O QUE É AVALIADO?
O que as agências querem encontrar:
O que as agências não querem encontrar:
E A TIMIDEZ?
DESCONFIANÇAS
AGENTES VIRTUAIS
QUAL A IDADE ADEQUADA?
QUAIS OS REQUISITOS NECESSÁRIOS?
COMO A AGÊNCIA ESCOLHE SUAS INDICAÇÕES?
ONDE LEVAR?
O CAMINHO DA PROPAGANDA
QUEM É QUEM
A CRIANÇA NA PROPAGANDA
Regulamentação brasileira
Regulamentações Internacionais
PROPAGANDAS INESQUECÍVEIS.
OS TESTES
Tipos de testes:
Como ir vestido?
Evitem:
As meninas devem evitar também:
E depois é só aguardar…
OS TRABALHOS
Desfiles
Modelo fotográfico
Comerciais para TV
Novelas e programas de TV
Longa-Metragem
O pagamento
O TRABALHO QUE DÁ
FERRAMENTAS DE TRABALHO
E o nome artístico?
CURSOS
Exercícios
QUE POSE EU FAÇO?
A CARREIRA
Eis alguns exemplos de crianças prodígios, seus sucessos e fracassos.
CONCURSOS
DIREITOS, DEVERES E DOCUMENTAÇÕES
Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990.
Portaria Nº 07/2003
Modelo de autorização/declaração para participação
Entendendo os contratos.
Os deveres e o comportamento profissional
CACHÊS
MAIS DÚVIDAS
DESFILE
CONCLUSÃO

Introdução

Antes de ser proprietário de agências de modelos e atores infantis, trabalhei por alguns anos como produtor de elenco. Minha carreira começou em 1983, acompanhando e aprendendo o ofício com Denise Algaves, na época, produtora de elenco da antiga VT Center, produtora house[1] da Mesbla. Nossa dupla evoluiu e, em pouco tempo, começamos a pegar trabalhos free lancers[2]. O início na própria VT Center, que também produzia comerciais para outros clientes e, depois, o nosso trabalho  se extendeu para várias produtoras cariocas.

Meu grande passo aconteceu em 1986, quando Rogério, então diretor de produção da Globotec (que acabara de contratar Carlos Manga como diretor exclusivo de comerciais) me ligou, em um sábado, para que eu fizesse o orçamento de um filme que teria como diretor o próprio Carlos Manga, com fama de grande profissional, mas também de ser uma pessoa muito exigente e de temperamento forte. Nós conhecíamos a dupla de produtores de elenco que trabalhava com ele na época; Leila e Paula, consideradas as melhores do Rio, porém, tinham acabado de pedir demissão, após a gravação de um comercial para Casas Pernambucanas, porque tiveram um desentendimento com ele.

Como todos tinham receio de trabalhar com o Manga, inclusive eu, passei ao Rogério um orçamento muito caro, para ser recusado mesmo, enquanto a Denise, minha sócia,  abanava a mão, querendo dizer para descartar o trabalho, pois ela não toparia fazer o filme. Para espanto geral, Rogério, depois de reclamar, dizendo que o orçamento estava muito caro, não só o aceitou, como já deixou a reunião marcada para segunda-feira. Não tinha mais jeito, não havia como voltar atrás…

Mesmo sem minha sócia, dirigi-me à reunião, na qual fui apresentado ao Carlos Manga e toda a entourage[3]dupla de criação da J. W. Thompsom, diretores de produção, cenógrafo, figurinista, etc… Era um comercial para Editora Rio Gráfica sobre um livro, intitulado “Os Sete Minutos”, de Irwin Wallace. Nesta reunião, entregaram-me uma fita com um trecho do filme, baseado no livro. Era um filme inglês, antigo, com a cena de um julgamento, onde os atores principais encenavam os advogados de defesa, de acusação e o juiz. Tinha também os jurados, figuras muito marcantes e caricatas, além de todo o público que assistia ao julgamento. A idéia, muito original, era fazer o comercial parecer um pedaço do filme e onde, no final, os atores mostrariam o livro. Para que isso fosse possível, a tarefa que me coube foi de achar atores desconhecidos, com os mesmos tipos físicos do filme, que contracenassem em inglês, isto é, tivessem o domínio da Língua para serem dublados pelos profissionais aos quais estávamos habituados a ouvir nos filmes na TV.

Seria realmente um trabalho de pesquisa que passaria pelo crivo do Diretor, desde os atores principais até o guarda que estaria na última fila da platéia do tribunal. Não era uma tarefa fácil, vi que teria de inovar.

Nesta época, existiam poucas agências de atores e modelos e cada produtor de elenco tinha o seu próprio cadastro, incluindo desde crianças até idosos. Mas este não era um elenco para se fazer com cadastros. Tive de sair para rua. Seguindo uma indicação, fui até a Escola Britânica em Botafogo, pois soube que lá havia um grupo amador de teatro que interpretava em inglês. Ali, pude verificar que a sorte estava do meu lado: a peça que fui ver, deste grupo amador, era encenada por excelentes atores e com as características físicas que tinham me pedido. Até um ator parecido com o Boris Karloff pude achar! E teve mais: sortearam, na platéia, dois ingressos para um rafting[4] no rio Paraibuna, e adivinha quem ganhou? Eu, alicomecei a acreditar que poderia fechar este elenco.

A pesquisa não se resumiu só a esta passada na Escola Britânica para assistir a uma apresentação do “The Players”, este grupo maravilhoso que existe até hoje, mas foi resolvida basicamente ali. Para o teste dos atores convoquei todas as indicações que achei, mas os papéis de promotor, advogado de defesa e juiz, saíram do “The Players”.

Minha segunda prioridade eram os jurados, tipos diferentes que também não se achariam em cadastro de modelos, embora em meu arquivo houvesse alguns que servissem. Pedi auxílio a algumas agências que trabalhavam com figurantes, mas que nunca tinham feito trabalho para comerciais. Foi uma estréia de oportunidades e assim conseguimos fechar o elenco deste filme que foi um marco muito importante para minha carreira: “Tribunal” ganhou muitos prêmios em festivais de publicidade, incluindo o Gran Prix, no VIII Festival Brasileiro do Filme Publicitário, com direito a destaque em Casting[5] e o mais importante pra mim, foi o 1˚ Prêmio Colunista Produção, em 1987, prêmio que por estar no seu primeiro ano,fez uma retrospectiva dos melhores trabalhos produzidos no Brasil durante o período de 1967 a 1986. “Tribunal” ganhou em várias categorias, entre elas, a de melhor ator e melhor produção de elenco.

Na reunião que houve na Globotec após o filme ser tão premiado, Manga veio me cumprimentar pelo meu elenco e pela minha audácia, cobrando um cachê quase igual ao dele. Fiquei morto de vergonha, não tinha nem idéia disto, mas, neste encontro, surgiu nosso segundo trabalho: um novo livro para Editora Record, “Expresso do Oriente”, que também ganharia muitos prêmios.

Então, trabalhamos juntos durante quatro anos até Carlos Manga ir para outra produtora, a Tycoon, de Cyl Farney e Paulo Lomba. Na Tycoon, já existia uma produtora de elenco, a Frida Richter, hoje produtora de elenco da TV Globo e um assistente de elenco, Luis Antônio Rocha, hoje também produtor de elenco da TV Globo. Como já eram produtores da casa e ótimos produtores, logo assumiram os elencos do Manga.

Em 1990, quando nasceu minha filha, tive uma proposta para abrir a primeira agência infantil do Rio: a Funny Faces. A grande diferença entre fazer produção de elenco e ter uma agência de modelos é que o produtor de elenco é responsável pela descoberta e contratação de toda parte artística de um filme ou vídeo, enquanto a agência não tem esta responsabilidade: ela possui um cadastro a oferecer, mas não tem a obrigação de ter o que o cliente procura. Menos cobranças e menos estressante.

________________________________________

Notas

[1] Produtora da casa, a VT Center foi concebida, inicialmente, para fazer as produções dos comerciais da Mesbla, grande anunciante da época.

[2] Sem vínculo com as empresas.

[3] Comitiva.

[4] Esporte que consiste em descer de bote uma corredeira de um rio.

[5] Elenco.

[6] Fonte: pesquisa Multifocus – Kiddo’s – Latin América Kids Study 2003.

 

Por onde começar?

O que faz com que 5% das meninas entre 6 e 11 anos, das classes A, B e C, residentes em grandes centros urbanos no Brasil, desejem se tornar modelos? Talvez o mesmo motivo que leve 14% dos meninos desejarem ser jogadores de futebol[6]: a busca pelo reconhecimento, pela fama e pelo dinheiro, que pode parecer fácil para muitos. Mas não é. Na verdade, é uma carreira com todos os percalços e caminhos difíceis, igual a muitas outras. Porém, encontra, na mídia, uma grande aliada e uma constante exposição da imagem daqueles que, em proporção muito pequena, conseguiram vencer.

Até mais ou menos os cinco anos de idade, as crianças entram no mundo da propaganda, em sua maioria, movidas pela vaidade dos pais. É lógico que, quando a criança é muito pequena, não tem a mínima idéia do que é propaganda. Mas, se não fossem estes pais, não teríamos bebês fazendo propagandas.

A idéia também pode surgir de parentes, conhecidos ou de algum profissional da área – um produtor de elenco ou um booker[7] de agência. O que mais escuto de mães é que todos elogiam o seu filho na rua, no shopping e perguntam “Por que você não leva sua filha para uma agência? Ela é tão linda!”.

Quando a idéia ou o convite parte de alguém do ramo, passa a ser mais tentadora, podendo ser levada mais a sério e a expectativa passa a ser real.

O mundo da propaganda e da televisão, no Brasil, é por demais glamourizado; as pessoas que não têm acesso, imaginam uma vida de sonhos para os artistas, não tendo a mínima idéia do trabalho que dá. Aliás, isso é papo para um capítulo à parte.

Considero uma prática muito saudável dos pais dar opções de conhecimento aos filhos, enquanto ainda são muito jovens. Isto acontece quando os colocam para praticar um esporte, aprender um instrumento musical, aprender uma dança ou qualquer atividade esportiva ou artística. A maioria não seguirá, profissionalmente, as iniciações ou os aprendizados desta época, mas as lições adquiridas ajudarão a construir suas personalidades. As aulas de teatro e modelo não garantem a formação de um excelente profissional, mas o aprender a comunicar-se, certamente, será proveitoso em qualquer profissão que eles possam escolher adiante.

O primeiro passo é procurar uma agência séria e apresentar seu filho ou filha para o profissional responsável. Esta análise poderá ser feita de várias maneiras: uma simples olhada, uma conversa, um teste de vídeo ou fotográfico, que poderá avaliá-lo com maior ou menor precisão, dependendo dos objetivos de quem a aplica. É uma primeira avaliação das possibilidades da criança ou adolescente vir a trabalhar como modelo ou ator (atriz).

O erro mais comum entre os responsáveis é fazer fotos da criança antes da escolha da agência. Dificilmente, estas fotos servirão para um cadastro, já que o trabalho com crianças é bem diferente do, feito com os adultos, neste aspecto. Assim, como cada fotógrafo tem sua visão de como realizar as fotos, cada agência também tem a sua maneira deapresentar seus modelos.

 

________________________________________

Notas

[7] Profissional das agências de modelos, responsável pela escolha dos modelos para apresentação aos clientes

O que é avaliado?

Além do tipo físico – a avaliação leva em conta vários detalhes físicos, como uma perfeita dentição, manchas na pele, alguma cicatriz, cor dos olhos, tipo do cabelo. Timidez, atitude, simpatia, carisma, talento e vontade são outros aspectos considerados.

O que as agências querem encontrar:

  • dentes alinhados, sadios, com trocas na idade certa;
  • sorrisos bonitos e fáceis (muita gente têm dificuldade em dar um sorriso natural, quando se pede);
  • cabelos com corte e limpos;
  • aparência de criança saudável;
  • simpatia;
  • obediência;
  • extroversão;
  • vontade de participar dos trabalhos;
  • tipos físicos comerciais (aqueles tipos muito pedidos pelos contratantes);
  • bom astral (sempre é um facilitador, em qualquer idade).

Na minha época de produtor de elenco, tive muitos trabalhos em que sabia que entraríamos, madrugadas adentro, gravando. Principalmente nestes trabalhos, eu me preocupava em colocar no elenco pessoas com bom astral. Sabe aquele tipo de pessoa que está sempre sorrindo? De bom humor? Elas são agregadoras, conseguem fazer um grupo inteiro esquecer que já estão 12 horas no estúdio, levam violão, contam piadas e muitas histórias. Gostam de ser o centro das atenções e divertem todos, sem deixarem de cumprir com suas responsabilidades. Este tipo de pessoa é sempre bem querida nas filmagens pois consegue, muitas vezes, manter todo um elenco bem, diferentemente daquelas que reclamam o tempo todo; estas ninguém quer ter por perto. E atenção, mamães, isso vale para os acompanhantes que reclamam muito também.

Certa vez, em uma filmagem, havia uma mãe muito “reclamona” que, ao invés de conversar com o produtor de elenco ou a agência da sua filha sobre a questão que a estava importunando, ficou reclamando alto e com todos que passassem perto. O diretor do filme chegou para mim, que era na época o produtor de elenco e pediu-me para nunca mais chamar aquela criança, pois não queria mais ver aquela mãe pela frente. Passados alguns meses, estava eu apresentando uma seleção para este mesmo diretor em outro trabalho, onde ele tinha gostado muito de um menino e me perguntou pelo seu nome. Quando falei o nome e sobrenome do garoto, ele lembrou que este sobrenome era o mesmo da menina daquele caso anterior e me perguntou se eram parentes:

– É irmão dela, falei. Fiquei muito surpreso com a lembrança dele. Está certo que era um sobrenome estrangeiro, diferente, mas mesmo assim… Não preciso dizer que ele não escolheu o garoto que mais tinha gostado para o filme por culpa da mãe que, para ele, era uma chata e sinônimo de problemas.

O que as agências não querem encontrar:

  • dentes tortos, cariados, escuros ou uma falta de dente fora de época (que podem adiar por um bom período as chances de trabalho da criança);
  • cabelos mal pintados (pintar cabelos de crianças, já acho uma coisa bem estranha, mas, vá lá, se for bem feito e que não dê para perceber a pintura… Agora, raízes aparentes com outra cor, luzes ou mechas… é muito feio mesmo);
  • cabelos sem corte;
  • uma aparência desleixada, anêmica ou cansada;
  • crianças muito magras;
  • crianças muito gordas. Crianças gordinhas têm, sim, seu espaço na propaganda, notadamente mais, os gordinhos do que as gordinhas. Certamente, não terão vez, quando o assunto for moda. Após os cinco anos de idade, deixamos de vê-los como fofinhos e engraçadinhos para vê-los como gordos. Vai ter sempre papel para o gordinho da turma, mas a gordinha ficará mais  limitada em seus papéis como modelo. Em novelas, é diferente: as atrizes gordinhas estão ganhando cada vez mais seu espaço, porém é importantíssimo, neste caso, a qualidade da interpretação. Para as agências, é sempre bom ter essas opções em seus cadastros, mas os modelos gordinhos não devem ter muitas expectativas de trabalho, a não ser que se tornem atores/atrizes, podendo até continuarem mais tarde, quando adultos, o que é difícil de ocorrer com modelos gordos;
  • crianças altas demais, muito maiores do que as crianças de sua idade. Elas vão ficar deslocadas nas seleções da sua idade e não vão poder acompanhar as seleções para crianças mais velhas. O mesmo não acontece com as crianças que aparentam menos idade, pois podem concorrer com crianças mais novas e ampliar suas chances de trabalho. Às vezes, perguntam-me, se é necessário ser alto para desfilar. Para crianças, não, já que o que irão vestir são roupas de crianças. Quanto aos adolescentes que são muito altos e, com isto, já conseguiram trabalhos de moda e desfiles, eles não trabalham mais como crianças, pois já vestem roupas de adulto e com isso já passam a pertencer aos castings e agências de adultos;
  • crianças desobedientes;
  • crianças muito tímidas ou envergonhadas;
  • crianças com muitas feridas pelo corpo;
  • crianças com alguma deficiência física muito visível.

Obs.: os aparelhos nos dentes atrapalham, mas não impedem o trabalho, além do mais, é muito melhor consertar logo as dentes enquanto se é jovem do que ficar adiando